quarta-feira, março 29, 2006

Perder / Achar

Onde andas? Questiono,
Se em ti ainda há vida,
Sem seres minha conhecida,
Eu de ti sou meio-dono,

E se descobrir teu corpo,
Nunca te acharei perdida,
Pois dar-te-ei guarida,
Até quando estiver morto.

Mas se a morte me levar,
Para um tormento eterno,
Terei de te libertar,

Tu no Céu, eu no Inferno,
E cumprida a sentença,
Buscarei minha pertença.

segunda-feira, março 27, 2006

Imparcialidade

http://jn.sapo.pt/2006/03/26/ultima/espatifaram_o_carro_valentim.html

Coitadinho do Valentim... Tem um "pequeno" Volvo S80 da autarquia com MAIS de 200 mil quilómetros. A sério, que peninha.
Este jornalista é mesmo bom. Até se preocupa com a segurança dos carros do Estado. É que um presidente de Câmara não deve ter um Volvo S80 com MAIS de 200 mil quilómetros. Isso é um atentado à sua segurança, como se veio a provar hoje.
Mas não se preocupem, a partir de hoje vai ter outro, com zero quilómetros. O senhor que lhe deu a traseirada até devia ser condecorado, por prestar um serviço à Nação e dar para abate um Volvo S80 com MAIS de 200 mil quilómetros.
Valha-me Deus.

sexta-feira, março 24, 2006

Deprimente

Estes dias têm sido de morrer... Mas o pior aproxima-se: É trabalhos, exames, relatórios.
Devem pensar que os estudantes não têm mais que fazer senão estudar. Não há direito!!!

Tenham calma, meus senhores,
Que o tempo escasseia,
E a foda ainda é meia,
E já pedem mais favores...

É exames e trabalhos,
São as apresentações,
Relatórios aos montões,
Que não chegam cem caralhos.

E depois os sabichões,
Dos colegas que não cedem,
Que preferem ser marrões,

E fazem o que não devem,
Boicotando adiamentos,
Fazendo-se de jumentos.

terça-feira, março 21, 2006

Grandeza musical

Aconselho toda a gente a ouvir o 22º Prelúdio, do 1º Volume da Obra "Cravo bem temperado", de J. S. Bach.

Ouço esta melodia,
De compasso grave e lento,
Mais forte qu' o maior vento,
Plena de melancolia.

E quando é bem tocada,
Tem a força semelhante,
Ao olhar de um amante,
Diante da coisa amada.

Conseguiste Romantismo,
Mestre do Barroco Antigo,
Em musical lirismo,

Que tem um grande sentido,
De lembrar as coisas belas,
E se apaixonar por elas.

domingo, março 19, 2006

Cinco elementos

Afundo-me pouco-a-pouco,
Nesta grande tempestade,
Tenho muito mais de louco,
Que qualquer dia já penso,
Que perdi a sanidade.

Consome-me fogo intenso,
Do Astro-Rei emanado,
Que depressa me convenço,
Que ele provém do meu ser,
De louco, apaixonado.

E ao brando anoitecer,
Só a brisa me acalma,
Quando vou adormecer,
Sozinho nesse momento,
Sinto a morrer minha alma.

Desço aos confins do tempo,
Da terra e do Universo,
Já não vejo o Firmamento,
A Lua, o seu movimento,
E seu bailado perverso.

E de manhã, como o vento,
Corro ao meu Nirvana,
Um etéreo pensamento,
Pleno, bom, verdadeiro,
Que limpa a mente insana.

quinta-feira, março 16, 2006

Adivinha

Tens medo, compra um cão,
Que eu não tenho medo algum
Venham todas, para um
Quem sou eu, grandalhão?

Caralho é o meu nome,
Cobridor de profissão,
Só vivo para o tesão,
E para matar a fome,

Sou muito mal-educado,
Nunca pedi licença,
Chego sem ser chamado,

A surpresa é minha crença,
Amigo dos meus tomates,
Lavo-os no rio Eufrates.

Este também já tem algum tempo, mas achei que era hora de alguma ordinarice e demência...
Cai sempre bem.

quarta-feira, março 15, 2006

Espaço Divino VI

Asclépio, deus da Medicina. Filho de Apolo e Coronas, de Tessália.

Esculápio, deus-doutor
Invoco a tua presença,
P'ra me ajudar na doença
A curar, tirar a dor,

Tu ressuscitas defuntos
Alevantas moribundos,
Conhecimentos profundos
Tens em todos os assuntos,

Sendo assim, mais uma vez
Aponta-me as soluções,
P'ra não ficar às mercês

Dos demónios aldrabões,
Que enganam os doutores
Prometendo-lhes favores.

segunda-feira, março 13, 2006

A quem quer que seja

À minha obra um insulto,
Só recebo cara-a-cara,
E ouvir a quem falara,
Só se fora bem mais culto.

Se é forte o intelecto,
E lhe dou a liberdade,
Antes escrever verdade,
Que vocifrar um dejecto.

Isto já não é d'agora,
Cobardia e cobiça,
Guiaram-te vida fora,

Mas vai-se fazer justiça,
Pois o cheiro do cinismo,
Há-de levar-te ao abismo.

sábado, março 11, 2006

Presidenciais

No auge da campanha eleitoral, elaborei um pequeno soneto acerca de uma individualidade bem caricata...

Diamantes nas bochechas,
Devia ser o teu nome,
O povo passou muita fome,
Mas de fome te não queixas.

Companheiro d'outras lutas,
Mete a luta no cagueiro,
Pois só lutas por dinheiro,
E por outras coisas brutas,

Não te queremos mais aqui,
És a fonte deste mal,
Da miséria em que vivi,

Coveiro de Portugal.
Já não bates bem do caco,
O presidente é o Cavaco!!!

Fonte dos Leões

A Lua quase ela atinge,
Em magnífica grandeza,
E inolvidável beleza,
Talhada nesta esfínge,

Quase toca o firmamento,
De tão grandiosa história,
E tem grande memória,
Este nosso monumento,

Espero poder honrar-te,
P'ra toda a eternidade,
Praxando com toda a Arte,

Nesta sublime cidade,
Que é berço de tradições,
Que se cumprem nos Leões.

quarta-feira, março 08, 2006

Dia da Mulher

Abençoada criação,
Digna do maior Deus,
Que confunde os ateus,
Por ser de Divina mão,

A sua rara beleza,
A sua pose int'ressante,
E o seu jeitinho elegante,
De caçar a sua presa.

Pois nós somos enganados,
Até pela mulher pura,
Caminhando descansados,

Para a funda sepultura,
Mas só caminha quem quer,
P' ros braços de uma Mulher.

domingo, março 05, 2006

Espaço Divino V

Europa, filha de Agenor de Tire e irmã de Cadmo, fundador de Tebas. Foi raptada por Zeus, numa manhã, em que recolhia flores na praia. Este levou-a para a Ilha de Creta, onde tiveram numerosos filhos, de entre os quais Minos e Radamanto.

Vai Europa, bela e pura,
Pelo Sol, colhendo flores,
Conquistando os amores,
De quem passa, na altura.

Vê Zeus, nela prostrado,
Que caminha descontente,
Naquele momento quente,
Em que se viu apaixonado.

Faz de touro e a seduz,
E depressa ela o monta,
Para Creta a conduz.

E a história que se conta,
É que deram felicidade,
Arte, amor e saudade.

Homenagem

Decidi editar um soneto que já tem 2 meses, dedicado a um dos meus mentores.

Bocage, tu inspiraste,
Uma grande geração,
Porco, tens no tesão,
Tudo quanto te baste,

Foi pena ter acabado,
Tão cedo a tua vida,
E ainda não havia Sida,
Mas cumpriste o teu Fado,

Obrigado, caro amigo,
Pelo teu grande exemplo,
Aprendi as fodas contigo,

Do meu quarto fiz-t’ um templo,
Foder até minha morte,
Faço disso a minha Sorte.

quinta-feira, março 02, 2006

Ministro dos Negócios Estrangeiros

Ainda andava de cueiros,
Quando tu por ti lutavas,
Enganando com palavras,
E com trejeitos matreiros,

Nunca foi o teu mister,
Apoiar só um partido,
Andas meio-dividido,
A apoiar quem vier,

Foste subindo na vida,
Na ONU e no Governo,
Esqueceste a investida,

E a guerra do Sarraceno.
Queremos explicações,
P'ra tanta falta de colhões.

O Freitas do Amaral está senil.
A provar isso está a sua crescente ideologia marxista-leninista, aliada a uma constante vontade de agradar a toda a gente. Um verdadeiro peace and love... Esquece-se é que a realidade é outra.

quarta-feira, março 01, 2006

Reflexão II

Cada jornada termina,
Num destino ansiado,
Por um caminho traçado,

Que a nossa mão assina.

Dilui-se o nosso tempo,
Em dias, meses e anos,
Pobres, ricos, soberanos,
Temos todos o momento,

D' entregar o nosso corpo,
Aos regedores da vida,
De procurar o conforto,

Duma Sorte decidida,
Pelos actos praticados,
Pensados ou publicados.