A quem quer que seja
À minha obra um insulto,
Só recebo cara-a-cara,
E ouvir a quem falara,
Só se fora bem mais culto.
Se é forte o intelecto,
E lhe dou a liberdade,
Antes escrever verdade,
Que vocifrar um dejecto.
Isto já não é d'agora,
Cobardia e cobiça,
Guiaram-te vida fora,
Mas vai-se fazer justiça,
Pois o cheiro do cinismo,
Há-de levar-te ao abismo.

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