Fixa-me os olhos
Espera por mim
Ternamente
Não poupes palavras
Mas ouve o que digo
Livremente
Não te afastes
E dá-me razões
Loucamente
Obsessivamente
Entrem no mundo das palavras e libertem-se...
Fixa-me os olhos
I
Musas da Romana Cidade
Mostrai vossos belos corpos
Que escondem com devoção,
Dai-me a inspiração.
Levantai até os mortos,
Ó filhas do mesmo padre,
II
Aprendam a boa vida
Ó duas formosas manas
Boas e sem um amado
Qual delas tem cu melhorado?
Qual delas tem melhores mamas?
Quem as comer que decida.
III
Pois tendo a mesma semente
Tendes os mesmos pecados,
Vosso corpo é divinal,
Bom e sem ser igual,
Perdei vossos predicados
Intentai coisa diferente.
IV
As duas c’ o mesmo homem
Era coisa de valor,
Da História que eu sei
Eram dignas de um Rei,
Senhor ou Imperador,
As chamas que as consomem.
V
Tremam de tanto Inferno,
Que amedronta o deus Marte.
Qualquer homem que as queira
Precisa de ter canseira,
De ter Sorte e ter Arte
E ter um tesão Eterno.
VI
Rogo aos deuses e fadas
Imploro às minhas Musas
Que nunca me abandonem
Que me deixem sempre ser homem
Para aguentar com tusas,
As fodas a mim destinadas.
És a Arte mais sublime
Sou escravo dos teus sons
Sei de perto o que te oprime
Por maestros menos bons
É ouvir-te de Igreja
Harmonia de terceira
Ter a tónica em Dó
Qualquer progressão que seja
Da Dominante, herdeira
Simples, fraca, de um tom só.
Eruditos musicais
Faziam cadências perfeitas
Mas isso já acabou
Já não as fazem mais
São p’ra cabeças estreitas
Cujo Tempo já passou
E as rimas de retrete
Esconjuram melodias
Estão podres, estão velhas
Os que cantam de falsete
Pensam que fazem mestrias
Já me ferem as orelhas