quarta-feira, abril 23, 2008

Fixa-me os olhos
Espera por mim
Ternamente
Não poupes palavras
Mas ouve o que digo
Livremente
Não te afastes
E dá-me razões
Loucamente
Droga-me contigo
Como se foras ópio
Obsessivamente

terça-feira, abril 15, 2008

Ode a duas irmãs

I

Musas da Romana Cidade

Mostrai vossos belos corpos

Que escondem com devoção,

Dai-me a inspiração.

Levantai até os mortos,

Ó filhas do mesmo padre,

II

Aprendam a boa vida

Ó duas formosas manas

Boas e sem um amado

Qual delas tem cu melhorado?

Qual delas tem melhores mamas?

Quem as comer que decida.

III

Pois tendo a mesma semente

Tendes os mesmos pecados,

Vosso corpo é divinal,

Bom e sem ser igual,

Perdei vossos predicados

Intentai coisa diferente.

IV

As duas c’ o mesmo homem

Era coisa de valor,

Da História que eu sei

Eram dignas de um Rei,

Senhor ou Imperador,

As chamas que as consomem.

V

Tremam de tanto Inferno,

Que amedronta o deus Marte.

Qualquer homem que as queira

Precisa de ter canseira,

De ter Sorte e ter Arte

E ter um tesão Eterno.

VI

Rogo aos deuses e fadas

Imploro às minhas Musas

Que nunca me abandonem

Que me deixem sempre ser homem

Para aguentar com tusas,

As fodas a mim destinadas.

domingo, abril 13, 2008

Actualidade musical

És a Arte mais sublime

Sou escravo dos teus sons

Sei de perto o que te oprime

Por maestros menos bons


É ouvir-te de Igreja

Harmonia de terceira

Ter a tónica em Dó

Qualquer progressão que seja

Da Dominante, herdeira

Simples, fraca, de um tom só.


Eruditos musicais

Faziam cadências perfeitas

Mas isso já acabou

Já não as fazem mais

São p’ra cabeças estreitas

Cujo Tempo já passou


E as rimas de retrete

Esconjuram melodias

Estão podres, estão velhas

Os que cantam de falsete

Pensam que fazem mestrias

Já me ferem as orelhas