Véspera
Está quase, pouco falta
Para quê? Não sei
Se calhar nada ou tudo
Como se qualquer coisa
Pudesse mudar a via
Do traçado, do Tratado
Do predestinado.
Do fio-de-faca
Onde passeamos
Sem fio-de-prumo
Sem Norte, sem rumo
Quedamos à espera
Do dia que vem
Será que ele vem?
Nós somos a véspera
De um dia maior
E assim irá ser.
Está quase, pouco falta
O Fado ainda se ouve
E que pesado fardo
Um Requiem a algo
Que nunca ocorreu,
Um morto à nascença
Um aborto
Uma descrença.
Um cadáver,
Que nunca viveu.
