terça-feira, janeiro 15, 2008

Velhote ao Pôr-do-Sol

Astro-Rei, põe-te comigo
Tu que morres lentamente
Como caio à tua frente
Astro-Rei, tão de repente
E tu morres lentamente...
Porque ontem era outro
Era um pequeno deus,
Eram tantos como eu
Que corriam casa adentro
Que de nada tinham seu
Que cresceram como eu
Casaram e procriaram
E deles fizeram netos
Tão pequenos como eu fora
Que deles nada fizeram
Depressa os esqueceram
E depressa eles morreram
Esquecidos como eu
E do nada faço agora
O meu longo testamento
Pois se nada agora tenho
Fica a memória do Tempo
No meu parco testamento...
Astro-Rei, quero ir contigo
Esta terra é-me estranha
Já não conheço este mundo
Que me tirou o sustento
Minha esposa, onde já vais?
Meus filhos, não me abraçais?
"Estás louco, velho demente.
Querias viver para sempre?
Resta-te a tua loucura!"
Pois é, meu Astro-Rei
Morre, morre lentamente
E eu morro á tua frente.